• Fernanda Bahia

Como as surfistas profissionais estão lidando com a quarentena?

Apesar do cancelamento do calendário de boa parte das competições mundiais e nacionais para o primeiro semestre de 2020, muitas surfistas profissionais seguem com um ritmo de treino, mesmo com o isolamento social recomendado pelo governo. Mas, calma, o treino é adaptado e dentro de casa. Para essas surfistas, é essencial manter o surf em dia, para que quando os campeonatos voltarem, elas estejam preparadas para retomar a rotina e as competições. Além disso, existe um fator mental essencial em manterem o corpo ativo na situação em que estamos.


O ManaSurf conversou com a psicóloga Serena DaMatta sobre como a quarentena e o isolamento social podem afetar o psicológico dessas atletas. Para ela, continuar praticando exercícios físicos, quando você já é uma pessoa ativa: “Ajuda primeiro a você ter controle das coisas. Segundo, a dar os estímulos certos e coerentes para o seu corpo e para a sua mente. E três e mais importante, ajuda a cuidar da autoestima dessa pessoa, dessa atleta, dessa mulher”.


Conversamos também com Jessica Bianca e Jasmim Avelino, ambas surfistas profissionais, sobre a quarentena e como elas estão se mantendo ativas dentro de casa. As duas mantiveram os treinos físicos e mentais e tentaram se adaptar à nova rotina do isolamento. Para ambas, o mais importante é continuarem se exercitando, já que o esporte sempre foi uma parte grande do dia a dia delas.


Para Jasmim, o treino fora da quarentena era dando aula para suas alunas do Bailarinas do Mar, tentando surfar todo o dia e fazendo os exercícios voltados para o surf, equilíbrio, resistência e fortalecimento muscular da Academia Endorfina. Ela conta que, durante a quarentena, continuou os exercícios em casa: “Todos os dias a academia Endorfina me manda novas séries e exercícios, assim, o treino não se torna entediante. Faço muitos alongamentos, me faz bem e me dá gás para o dia”. Para ela, é essencial se exercitar para ter foco e controle emocional.


Jessica também tinha uma rotina intensa, com treinos voltados para o surf no Centro de Perfomance Esporte Controle, treinos de força com Leandro Lorena e na água com o seu treinador, Bibi Lima. Além disso, fazia natação e apneia com a Vanessa Pontes e treinos mentais com Renato Endo. Com a quarentena, tudo foi adaptado. “O Bibi Lima passa uns treinos de movimentos do surf no solo. É um surf só que sem água. Os treinos físicos seguem iguais", disse Jessica. Já os treinos mentais, ela conta que acaba fazendo mais do que fazia antes, “principalmente quando bate muita saudade do mar”.


No Instagram, outras surfistas também continuaram suas rotinas em casa e, muitas vezes, postando nos stories os exercícios que estão fazendo, uma maneira de manter todos motivados durante o isolamento social. Silvana Lima, que está competindo o WQS desse ano, postou durante a semana alguns dos treinos que realizou. Karol Ribeiro e Chloé Calmon também já mostraram alguns treinos nas suas redes sociais.


Para lidar com as mudanças de hábito, Serena aconselha que a quarentena seja encarada como um período de adaptação. Mas, cada pessoa pode reagir de maneira diferente à impossibilidade de ir surfar: “Podem ter pessoas que estão sentindo muita falta de estarem ao ar livre, porque elas se sentiam bem no coletivo. Podem ter outras que estão sentindo falta do esporte em si. Outras que estão sentindo falta do movimento”.


O conselho da psicóloga é: estejam abertos a experimentar. Para ela, o tempo livre deve ser usado para viver novas experiências: “Você pode procurar um documentário para assistir, um livro para ler, trazer a relação do surf pra esse lado. Assistir um documentário sobre ondas grandes, ler um livro que fale sobre a trajetória de uma mulher no surf”.


Para as duas surfistas, lidar com a quarentena está sendo uma luta mental. Jessica aproveita o tempo que tem sobrando para ler. Assistir vídeos de surfistas que admira é uma outra forma de relaxar, manter a calma, e ainda continuar treinando. Já Jasmim está evitando de ver filmes de surf, segundo ela, “a fissura aperta ainda mais e sofro, vira tortura”. Para a surfista de longboard, o principal está sendo passar tempo com sua família, algo que, para ela, é muito importante e que não estava conseguindo fazer por conta de trabalho e viagens.


O adiamento e cancelamento das competições no primeiro semestre de 2020 também trouxe outras preocupações nesse momento. Jasmim, por exemplo, estava prestes a embarcar para Jericoacoara, para a primeira etapa do brasileiro de longboard, quando o evento foi cancelado. A atleta conseguiu cancelar as passagens e hospedagem como créditos para quando o evento tiver uma nova data, e não teve grandes perdas. "Eu estava com diversas viagens programadas e projetos, tudo está sendo cancelado, sem previsão de data. O que está sendo difícil é não saber quando vou voltar a dar aula, a trabalhar”, conta a surfista.


Serena DaMatta defende a importância de cuidar da mente nesse momento, e conta que uma das maneiras mais eficazes é mantendo o atendimento psicológico a distância.

“O atendimento a distância é uma opção super saudável. E acredito que seja o momento de refletir sobre a importância dele, muito mais do que só se preocupar com a atividade física, com a movimentação, com essa prisão externa”, afirma Serena.


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