• Fernanda Bahia

Jasmim Avelino

Aos 24 anos, Jasmim é formada em Biologia, dá aulas de surf e está se profissionalizando no esporte que ela pratica desde os 12 anos

Do signo de Câncer, sua conexão com o mar não poderia ser maior, mas não é de vida toda.


O pai dela é surfista desde a adolescência. A irmã também. A cadela, Onda, já levou seus caldos na Macumba. A mãe, Izabel, curte a praia da areia, mas sempre incentivou os três a surfarem.


A irmã, Shayana, entrou primeiro nesse universo. Na sua época de adolescente metaleira, quando achava que ganharia uma guitarra de presente do pai, foi surpreendida por uma frustrante prancha de bodyboard. Nesse momento da vida, nem ela nem a irmã gostavam de praia e detestavam a obrigatoriedade de ir todo fim de semana com o pai e a mãe. Mas acabou cedendo e até mesmo gostando do surf de body.


E Jasmim, com 9 anos, percebeu o quanto sua irmã se divertia com seu pai e resolveu que queria fazer parte disso também. Largou a possibilidade de se profissionalizar no teatro para surfar. O pai deu a ela o mesmo presente que havia dado a irmã. Não demorou muito para ela passar para o long, com 12 anos. Desde então, nunca mais parou.


Já no ano seguinte, começou a competir. E foi nessa época que ela passou um dos maiores perrengues da sua carreira de atleta. Jasmim e Shayana participaram de um campeonato na Macumba, com um swell inesperado em pleno dezembro e ondas grandes demais para uma menina de 13 anos recém iniciada no surf. Ela lembra de entrar no mar ao lado da irmã e, quando veio a série, de receber um único conselho: mergulha o mais fundo que puder.


O desespero tomou conta da menina que chorou ali mesmo. Saiu da água com o pai avisando que ela não voltaria na próxima bateria, na qual ela havia passado por ironia do destino. Por algum motivo inexplicável, Jasmim chegou na semifinal e, mesmo sem entrar na água, passou para a final por desistência da sua adversária. Voltou para o mar e só conseguiu uma coisa naquele dia: quebrar sua prancha.

Mas tirou da situação uma lição quase que poética: a certeza de que era isso que ela faria para o resto da vida. Ali, a surfista percebeu o quanto o surf era desafiador, mas ainda assim, o que ela gostava mesmo de fazer.


Dez anos depois, alguns outros perrengues mas movida pela mesma certeza, Jasmim hoje se considera surfista profissional. Não à toa: em 2019, conquistou seu segundo título do Brasileiro Profissional de Longboard.


A última etapa do circuito foi na Macumba, com amigos e família na areia. Surfando em uma prancha nova, do shaper Caio Teixeira, as chances de ela ganhar a etapa e conquistar o título eram baixas. Ao falar sobre sua performance, conta que estava um pouco desestabilizada e que sua preocupação era que não conseguisse mostrar para sua torcida e os jurados o que ela sabia fazer. Mas mostrou.


O ano de vitórias e o título vieram após uma outra conquista e decisões muito difíceis. Depois de completar sua graduação em Biologia, negar um emprego na área e pedir demissão do escritório de advocacia, no qual trabalhou por cinco anos, Jasmim resolveu que iria se profissionalizar no esporte.


A maior dificuldade para ela tem sido a falta de patrocínio. Ela chegou a ter um apoio na época da escola, que a levou para competir em outros estados do país. Mas, depois de se formar no Ensino Médio, percebeu o quanto seria difícil surfar profissionalmente sem alguém que pudesse continuar bancando suas viagens para competição. Foi por isso que ingressou na faculdade.


Depois da graduação, resolveu que tentaria outras formas de ganhar dinheiro. As aulas de surf vieram nesse momento, no início de 2019. Uma maneira de custear as viagens para as competições, que acabou fazendo muito sucesso. Suas aulas particulares no Recreio e no Arpoador vieram para tampar um vazio: a falta de incentivo para o longboard nas escolinhas de surf.


Desde então, Jasmim organizou duas surf trips para suas alunas, projeto que deu o nome de Bailarinas do Mar. A ideia veio no seu tempo livre na autoescola. Uma maneira de levar a elas essa experiencia de viajar e surfar. Ela conta que teve medo de colocar dez mulheres juntas na água. Mas que o resultado foi, na verdade, um retrato do que é o longboard: uma grande família que se ajuda sempre que pode.


Para 2020, Jasmim deseja mais do que apenas conquistas pessoais, como participar de uma etapa do circuito mundial de longboard, da WSL. Ela espera se tornar uma voz para o long feminino, realizar workshops, mais viagens e até eventos beneficentes. Para ela, parte de não perder a essência do surf está em trazer de volta para suas origens o que ela aprendeu pelo mundo a fora.


Ao falar sobre o surf, Jasmim é, novamente, poesia.

“Eu sempre falo que no longboard você não compete com a onda. Você respeita o que ela quer, faz o que ela te proporciona”.
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