• Fernanda Bahia

Calendários da ABRASP e da CBSurf têm etapas a menos para o Feminino Profissional

O calendário do circuito nacional da ABRASP ainda não foi anunciado por completo – e assim que for anunciado vamos postar no site. Mas as duas primeiras etapas já foram divulgadas pelo Instagram oficial do órgão. E nenhuma das duas contam com a categoria feminina profissional.


Imagem: Reprodução/Instagram

A primeira etapa será o Pena Paracuru Pro e começa amanhã, 7 de fevereiro, em Paracuru, no Ceará. A cidade, conhecida como local de nascimento da surfista Silvana Lima e, portanto, muito simbólica para as surfistas brasileiras, terá apenas a categoria Feminino Open.


No post do Instagram onde a notícia foi divulgada, as surfistas Yanca Costa e Jessica Bianca se mostraram descontentes. Em conversa com o ManaSurf, Yanca e Jessica contaram que têm muita vontade de competir na cidade. Yanca acredita que seria de interesse de todas as surfistas haver uma etapa lá, já que a onda de Paracuru, para ela, é de nível mundial.


Já a segunda etapa será na terceira edição do MBSurf Pro, na Ilha do Mel, Praia Grande, no Paraná. A competição acontece entre os dias 3 e 5 de abril e conta com a categoria Masculina do Circuito Brasileiro, mas para as mulheres, haverá apenas o Pro Junior.


Em 2019, essa etapa também fez parte do circuito nacional, com premiação de R$40 mil, divididos entre os homens e as mulheres, R$20 mil para cada categoria. Esse ano, no entanto, a etapa vai acontecer sem as mulheres, mas com os mesmos R$40 mil reais de premiação. Jessica Bianca, surfista que voltou a se profissionalizar em 2019, comentou com o ManaSurf sobre a etapa:

"Eu achei muito injusto, porque eles poderiam ter mantido igual ano passado, mas aumentaram a premiação dos homens e o feminino não vai acontecer"

No circuito da CBSurf, que já foi oficialmente apresentado no site da confederação – e nós postamos na matéria de segunda-feira, dia 3 de fevereiro – as mulheres terão uma etapa a menos do que os homens.


Imagem: Elaboração ManaSurf

Yanca Costa comentou a falta do feminino na segunda etapa do circuito nacional da CBS. Segundo a atleta, a CBS já dizia há algum tempo que iria tirar uma das etapas, alegando a falta de surfistas para a categoria feminina profissional. Yanca discorda, apontando que são quase 40 atletas profissionais no feminino e que haveria mulher o bastante para competir em todas as etapas. Jessica e Yanca não conseguiram apontar um motivo para não haver o feminino. Yanca ainda afirmou:

“Eu não sei qual foi a ideia deles, porque verba eles têm pra fazer as quatro etapas junto com os homens”

A equipe do ManaSurf entrou em contato com a CBSurf e com a ABRASP, buscando esclarecimentos em relação aos motivos para essas etapas não terem a categoria Feminina Pro. Mas não houve resposta. Mas a própria Yanca especulou que, no caso da ABRASP pode haver relação com patrocínios, mas que isso está partindo da própria associação.


Em relação a organização das mulheres para buscar um circuito mais justo para elas, Yanca e Jessica participam de um grupo no Whatsapp que tem algumas das surfistas profissionais e tenta se organizar para fazer reivindicações a partir de meios legais. Nathalie Martins é a representante das meninas nesse cenário e sempre busca meios oficiais de comunicação com a CBSurf ou com a ABRASP, para um cenário profissional mais bem organizado para as mulheres.


Na conversa com o ManaSurf, Yanca chegou a sugerir um calendário para as mulheres, pensado nas melhores condições para elas em cada etapa. Ela sugeriu as praias de Paracuru, Matosinhos, Itamambuca e Recreio, por serem praias que oferecem boas condições.

Tanto a CBSurf quanto a ABRASP se comprometem a realizar um circuito nacional para os surfistas profissionais. No entanto, para Yanca, o comprometimento com as mulheres deixa a desejar e ela afirma que:

"Eles querem mais mostrar que fizeram, do que fazer com qualidade, de maneira bem pensada, com onda boa para gente mostrar nosso surf"

A CBSurf, por exemplo, anunciou o circuito nacional com a notícia de que haveria premiações iguais para homens e mulheres. Mas, por mais que em cada etapa, as premiações sejam iguais, se as mulheres têm uma etapa a menos, no final do circuito ganham menos do que os homens. O mesmo acontece no calendário da WSL de competições. Ainda que em cada etapa eles defendam o “equal pay”, no final do circuito as mulheres competem uma etapa a menos que os homens, já que Teahupo’o não faz parte do circuito feminino.


Tal fato é importante de ser discutido, já que as surfistas profissionais, no Brasil e em outros países, dependem do dinheiro das premiações para continuarem surfando e alcançarem outros patamares na carreira de atletas. É necessário entender como a falta de igualdade nos circuitos profissionais em âmbito nacional e internacional está afetando o crescimento do surf feminino. Ainda que já tenha progredido em tantos sentidos - como mostramos na primeira matéria do ManaSurf – há muito caminho a ser percorrido.

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