• Raiane Cardoso

Autoridades do Japão e COI negam possível cancelamento das Olímpiadas de Tóquio

O COI (Comitê Olimpico Internacional) e várias autoridades do Japão negaram, nesta sexta-feira (22), a possibilidade de um cancelamento das Olimpíadas de Tóquio devido ao aumento do número de casos e mortes ocasionadas pela Covid-19. Faltam exatos seis meses para o início do megaevento, que está marcado para acontecer de 23 de julho a 8 de agosto deste ano. Será a a grande estreia do surf como esporte olímpico, e o Brasil será representado por Silvana Lima, Tatiana Weston-Webb, Gabriel Medina e Ítalo Ferreira.


Silvana Lima, Gabriel Medina e Ítalo Ferreira. Foto: Reprodução/Instagram

Na quinta-feira (21), o jornal britânico "The Times" publicou uma reportagem afirmando que o Japão estaria buscando uma forma de cancelar as Olimpíadas de Tóquio em 2021. De acordo com a publicação, o governo japonês chegou a um consenso de que será "muito difícil" organizar o megaevento em meio à pandemia do novo coronavírus, que ainda está longe de ser controlada, mesmo com a vacinação acontecendo pelo mundo.


O Japão está, no momento, passando pela sua terceira onda de casos e mortes causadas pela Covid-19 e está em estado de emergência desde o dia 7 de janeiro. No dia 10 de janeiro, a imprensa japonesa publicou uma pesquisa que indicava que 80% dos japoneses são contra a realização dos Jogos no atual cenário.


Em 2020, a decisão de adiar os Jogos Olímpicos foi tomada após o Canadá e a Austrália anunciarem que não enviariam seus atletas. Essa, segundo a fonte do "The Times", seria a forma mais simples de chegar ao cancelamento ou um outro adiamento. "Se alguém como o presidente [Joe] Biden [dos Estados Unidos] dissesse que os atletas norte-americanos não podem ir, poderíamos dizer: 'Bem, agora é impossível'", disse.


O país, no entanto, teria a preocupação de se queimar com o Comitê Olímpico Internacional, mas de acordo com a fonte do jornal, a intenção do Japão seria de sediar a competição em 2032. Também na quinta-feira (21), Thomas Bach, o presidente do COI, deu uma entrevista ao jornal "Kuodo News" e reafirmou a confiança na realização dos Jogos de Tóquio em julho de 2021.


"Nós temos, neste momento, nenhuma razão para acreditar que os Jogos Olímpicos de Tóquio não começarão no dia 23 de julho no Estádio Olímpico de Tóquio. Isto é porque não há plano B e porque estamos totalmente comprometidos em fazer estes Jogos seguros e bem-sucedidos", afirmou Thomas Bach.

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, disse que está "determinado a realizar" os Jogos e que trabalhará junto com o governo de Tóquio e o COI para alinhar os detalhes finais da organização das Olimpíadas.


Yasuhiro Yamashita, presidente do Comitê Olímpico do Japão, negou a possibilidade de cancelamento e ainda chamou a reportagem do jornal inglês de "falsa" e "invenção", em uma entrevista à agência de notícias Reuters. A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, também afirmou que não passam de "rumores" as publicações sobre o cancelamento ou adiamento dos Jogos.


O COI afirmou, por meio de nota, que o conteúdo da reportagem do "Times" era uma "categórica inverdade" e que "vão implementar todas as medidas possíveis contra Covid-19 [...] para garantir Jogos seguros neste verão". O Comitê Paralímpico Internacional (CPI), que tem como presidente o brasileiro Andrew Parsons, também afirmou, por meio de nota, que está seguro da realização do evento.


"Agora sabemos muito mais sobre como o vírus se comporta, muito mais sobre como organizar eventos esportivos seguros durante uma pandemia e somos encorajados pelo lançamento internacional de várias vacinas. Na época dos Jogos, neste verão, estamos otimistas de que o número de casos diários será muito menor do que durante esses meses de inverno. Também estamos confiantes de que o extenso programa de testes a ser implementado antes, durante e depois dos Jogos [...] ajudará a minimizar o risco de transmissão do vírus", disse o CPI.

O CEO do comitê organizador do evento, Toshiro Muto, observou em entrevista antes da reportagem do jornal inglês que acredita que a vacinação em massa na Europa e nos Estados Unidos terão um efeito positivo para a organização da disputa.


O COI reuniu seus membros na quinta-feira (21) para discutir a realização dos Jogos. O ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman, o mais antigo brasileiro entre os cem membros do Comitê, estava na teleconferência e disse, em entrevista ao Globo Esporte, que não se falou sobre adiamento ou cancelamento do megaevento, mas sim sobre a forma como ele será organizado.


"Os Jogos vão acontecer de qualquer forma. A gente não sabe em qual dimensão e quais os problemas. Isso foi discutido. [...] Estão buscando ideias para ver de que forma a execução. Não existe a possibilidade, não se fala em cancelamento de Jogos. Pelo contrário. Estimula-se tudo e a todos. Os atletas, os stakeholders, todas as pessoas envolvidas em uma Olimpíada, turistas, voluntários, milhares de pessoas que tem que continuar sendo estimuladas para executar os Jogos de alguma forma. A questão é a forma que vai ser executada", afirmou Bernard.


Na última semana, Thomas Bach conversou com os Comitês Olímpicos ao redor do mundo e afirmou que o COI e a Organização Mundial de Saúde (OMS) vão apoiar as entidades na intenção de garantir que os atletas sejam vacinados antes das Olimpíadas de Tóquio, de acordo com o site “Inside the Games”.


O COI vem afirmando que não passará na frente dos grupos de risco na vacinação e Thomas Bach já afirmou algumas vezes que a vacina não será obrigatória para que os atletas participarem dos Jogos. No entanto, o presidente do COI tem incentivado que os atletas tomem a vacina assim que possível.

Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima. Foto: Time Brasil/Reprodução

Existe, no entanto, a preocupação com atletas de países menos desenvolvidos, que podem não ter acesso à vacina antes do megaevento. Por isso, o COI tem conversado com a OMS a respeito do projeto Covax, que tem como objetivo acelerar a distribuição de vacinas nos países em desenvolvimento e são a esperança de Thomas Bach de que os atletas desses países recebam a vacina a tempo para os Jogos.


O presidente do COI levantou a possibilidade, em uma conferência na sexta-feira (22), de não ter a presença de público nos Jogos. Bach disse que o Comitê trabalha com todos os possíveis cenários, incluindo a ausência do público, além de quarentena e distanciamento social para atletas.


Em meio a essas incertezas, foram feitas projeções sobre os cenários de pandemia e a realização dos Jogos Olímpicos, e neste sábado (23), o jornal "Japan Times" publicou uma análise do professor de economia Katsuhiro Miyamoto de que o país poderia ter um prejuízo de até 2,4 trilhões ienes, cerca de R$ 125 bilhões, caso a competição seja realizada sem público.


Os cálculos consideram o prejuízo de 381,3 bilhões ienes em gastos relacionados diretamente com as Olimpíadas sem o retorno com a venda de ingressos, o que equivale a 90% do custo da projeção original para que o evento seja realizado. Além disso, qualquer limitação ou proibição de público também levaria a um turismo mais fraco e menos oportunidades de negócios, além das vendas de produtos de marketing.


O economista ainda divulgou outros cálculos de acordo com os diversos cenários possíveis, como a perda de cerca de 4,5 trilhões de ienes (R$ 237 bilhões) se os Jogos forem cancelados e um prejuízo de 1,4 trilhão de ienes (R$ 73 bilhões) caso o número de espectadores seja reduzido pela metade.


O "Japan Times" apontou também que o governo de Tóquio tem sofrido com a pressão financeira devido à pandemia, e gastou mais de 2 trilhões ienes, cerca de R$ 105 bilhões, para combater a Covid-19. Até o momento, está previsto um custo de 717 bilhões de ienes, cerca de $ 37 bilhões para a realização das Olimpíadas e Paralimpíadas, já incluindo as despesas adicionais devido ao adiamento do evento por um ano.

  • Instagram - White Circle
  • Facebook - Círculo Branco
  • Pinterest - Círculo Branco

Contato

COPYRIGHT © 2019, PORTAL MANASURF . TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.