• Raiane Cardoso

A experiência da surf trip

O surf vai muito além de ser apenas um esporte, é um estilo de vida. O mercado do surf vem crescendo e dentro dele um mercado específico ganhou força nos últimos anos: o das surf trips femininas. O ManaSurf conversou com três surfistas que já viveram essa experiência.


Uma delas é Bruna Queiroz, surfista profissional que foi pioneira e desde 2012 organiza surf trips femininas internacionais com o projeto "BBQ" (Barca da Bruna Queiroz). A surfista, que é turismóloga por formação e também dá aulas de surf, decidiu se dedicar ao projeto após um longo período sem o funcionamento do Circuito Brasileiro de Surf Profissional Feminino.


A ideia do projeto surgiu durante uma viagem à Nicarágua, quando o dono do hotel onde Bruna estava hospedada deu a ideia porque ainda não tinha nenhuma brasileira oferecendo esse tipo de serviço. "Ele achou que era muito a minha cara, que eu sempre respondia todas as meninas com muita atenção e eu não dei a menor atenção porque eu achei que jamais fosse dar certo. Por que uma menina ia querer pagar um pouco mais caro indo comigo se ela poderia pagar mais barato indo sozinha?", disse Bruna.


A surfista começou a perceber que o especial das surf trips era o fato de ir com alguém que as mulheres se sentissem confortáveis, confiantes e que as levassem para o tipo de onda adequada. Na primeira viagem, para a Costa Rica, foram quatro meninas. Desde então, oito anos depois, centena de mulheres já viajaram com Bruna para destinos como Jamaica e Nicarágua. Em fevereiro de 2020, a surfista fez a 40º viagem da BBQ, com destino a El Salvador, o paraíso das direitas na América Central.


"As surf trips uniram tudo ao que eu vinha me dedicando há anos, num caminho muito diferente do que eu imaginava, mas muito melhor do que eu poderia sonhar. Só hoje consigo compreender isso", contou Bruna.

Outras surfistas brasileiras também organizam surf trips nacionais e internacionais, como Suellen Naraisa, Jacqueline Silva, Tina Villella e Jasmim Avelino. Amanda Vinhoza, surfista e pesquisadora, participou da primeira surf trip do "Bailarinas do Mar", projeto de Jasmim Avelino que tem como objetivo incentivar o surf de longboard feminino. Itamambuca, praia no litoral paulista, foi o destino.


"Era final de agosto, ou seja, muito frio e muita chuva. A gente acordava às seis da manhã, colocava o long john molhado e saia na chuva pra amarrar 10 longboards em cima dos carros. O 'Bailarinas' mostra a essência do longboard: o perrengue, a técnica e, acima de tudo, a diversão em todos os momentos", conta Amanda.


Tem também quem já viveu a experiência da surf trip por conta própria: a atleta e professora de surf Rayza Silveira foi para Bali, Indonésia, em 2017 com um grupo de quatro pessoas, no qual ela era a única com o objetivo de surfar. "Antes de ir, pesquisei os melhores picos de surf e chegando lá fui conhecendo um por um. O mais desafiador foi Padang Padang pois no dia só tinha surfista local e eu era a única mulher na água", contou a surfista.


A onda de Padang também é conhecida como a "Pipeline de Bali" por seus tubos e, por ser mais rasa, a onda quebra muito próximo aos corais, o que aumenta o risco de acidentes. "No primeiro dia em Padang me dei bem, o mar estava um pouco menor. Mas na segunda vez, peguei um swell maior. Na terceira onda, não saí de dentro do tubo e fui jogada nos corais, me ralei toda", disse a surfista.



O susto teve saldo positivo com Rayza, que não se feriu gravemente e conta que depois disso perdeu o medo de se machucar e ficou muito mais à vontade nos picos. Desde Bali, a surfista já foi duas vezes ao Peru e a diversos destinos nacionais, mas agora acompanhada por seus alunos de surf.


A presença de apenas mulheres nas viagens é, talvez, o ingrediente principal para a experiência trazer uma integração natural: "Quando a Jasmim me falou que era só pra meninas, eu falei: 'Poxa Jas, meu namorado ia adorar essa trip também!'. Mas quando entramos na água a primeira vez eu entendi a importância de ser só para meninas. O mar vira um ambiente seguro, de amizade, de incentivo e de inspiração", contou Amanda.


Bruna, como organizadora, se atenta para, nos primeiros dias de viagem, ajudar a construir um elo entre o grupo, mas afirma que tudo flui muito naturalmente, independente da idade, nível, modalidade ou profissão das surfistas no grupo. "Elas têm essas conquistas, elas vibram juntas, elas ficam frustradas juntas, então uma fortifica a outra. Acho que esse elo acaba sendo natural porque todas estão ali com o mesmo objetivo", disse a surfista.


Para quem deseja juntar turismo, técnica e o esporte, uma surf trip pode ser a combinação perfeita, como disse Amanda:

"A evolução de todas no final da trip é nítida. Para mim, foi uma experiência que mudou o meu surf drasticamente. Vai muito além da aula convencional, você evolui a técnica e o empoderamento dentro da água. Recomendo para todas".
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