• Fernanda Bahia

A comunidade LGBTQ+ no mundo do surf

Pouco, ou quase nada, se fala de LGBTfobia no universo do surf. Enquanto começamos, recentemente, a discutir o machismo e entender a extensão dessa questão para a profissionalização do surf feminino, e passamos a discutir também o racismo no cenário do surf mundial, profissional ou não, não falamos de homofobia. Mas, pensando nas surfistas profissionais, internacionalmente e no Brasil, apenas duas atletas mulheres já falaram sobre sua homossexualidade.

Keala Kenelly foi a primeira surfista do cenário mundial a se assumir gay. Depois de muito tempo escondendo o fato, com medo de isso afetar seus patrocínios, eventualmente a atleta passou a contar para as pessoas a verdade. A surfista que também é ativa pela causa do surf feminino, foi escolhida, em 2019, como uma defensora da causa LGBTQ+, pela The Advocate Mag, uma revista voltada para notícias LGBTQ.


Keala foi a primeira surfista da comunidade LGBTQ+ a ganhar um campeonato mundial no surf, e inclusive falou sobre isso no seu discurso no WSL Awards, no final de 2019. Ela afirma, em entrevista ao The Guardian que, apesar dela finalmente se sentir livre, a sua carreira foi afetada, já que ser gay não é algo vendável, segundo ela.


No Brasil, a atleta Silvana Lima é a única surfista profissional do cenário mundial a ter assumido abertamente um relacionamento gay, com a maquiadora Juliana Sousa.



Apesar de a LGBTfobia não ser pauta para o universo do surf, a comunidade vem tentando se unir já há algum tempo, depois de perceber a importância da representatividade. No Brasil, a surfista Mata Dalla Chiesa criou uma surf trip voltando para surfistas LGBTQ+. Ela conta, em uma matéria do Viaja Bi!, que muitos dos surfistas que procuram essa viagem nunca haviam surfado antes por medo da homofobia.


Já no cenário internacional, outras surftrips e retiros para surfistas LGBTQ+ também já existem. Um surfista em particular foi além, e criou uma comunidade online para que surfistas LGBTQ+ pudessem se encontrar. Thomas Castets criou, em 2010, o gaysurfers.net, uma espécie de rede social, onde é possível criar discussões em fóruns, postar fotos, vídeos e até artigos com questões que podem interessar outros surfistas LGBTQ+. Castets, depois de criar a rede social, também gravou um documentário, o “OUT in the line-up", onde ele rodou o mundo para conversar com outros surfistas.


O surf, como um esporte extremamente machista, acaba por afastar surfistas gays, já que o estereótipo do surfista é heteronormativo, o que afeta tanto as mulheres quanto os homens que não performam essa heteronormatividade. As mulheres por serem objetificadas e precisarem estar num padrão de feminilidade para chamar atenção, e os homens por precisarem agir em cima de uma masculinidade tóxica.


Fugir da LGBTfobia no surf, por muitas vezes, inclui não se assumir como LGBTQ+, ou simplesmente não começar a praticar o esporte. No mês do orgulho LGBTQ+ achamos importante falar sobre e buscar a representatividade desses surfistas. O surf tem, por sua essência, que ser um esporte inclusivo, e não deve haver exceções.

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